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Antes de relatarmos nossos objetivos terapêuticos com a tecelagem, é importante apresentarmos uma descrição do procedimento envolvido no ato de tecer, para posteriormente compreender qual a atuação deste processo no paciente.
Ao propormos a tecelagem ao paciente, temos como condutas:
> Traçar metas – objetivar
Definir o que será tecido (tapete, caminho de mesa, xale...); qual tear será utilizado (grande, pequeno...); qual fio será usado para compor a urdidura, que é a base do trabalho, e a trama – (barbante, linha, lã); como serão colocados os fios da urdidura de acordo com o objetivo, previamente definido (tapete de trama fechada, tecido de trama aberta); as cores que terá a peça a ser tecida.
> Colocação dos fios da urdidura;
> Preparação das navetes com os fios que compõem a trama;
> Tecer, propriamente dito;
> Acabamento.
Neste preparar o ambiente e o tear para realizar o trabalho, temos um olhar objetivo do processo.
Ao observarmos uma pessoa tecendo podemos perceber dois elementos distintos: a pessoa que tece a trama e a urdidura.
A urdidura já estava no tear, sem ela não se tece. Podemos compará-la ao destino. Nascemos, passamos pela infância, pela adolescência, juventude, maturidade e velhice, depois morremos. Mas cada um de nós passa por estas fases de maneira totalmente pessoal e única. Cada um cria para si uma trama única.
Neste segundo momento, como terapeutas, nosso olhar direciona-se para o “como” a pessoa trama, ou seja, como ela faz uso e individualiza os elementos necessários para esta trama, dentro da proposta feita. O que nos revela o modo de tecer de uma pessoa? Nos revela a individualidade que tece. A partir disso temos indicações do que propor e em que seqüência.
Existem diferentes possibilidades de trabalho. Ao escolhermos e indicarmos ao paciente a confecção de uma delas, oferecemos a oportunidade de sanar, através do “fazer”, tendências unilaterais que conduzem à doença. Se observamos que uma trama é sempre tecida por alguém de forma muita fechada e que esta pessoa apresenta uma constituição muito endurecida (corpo rígido, idéias fixas, rigidez no sentir) uma das indicações seria trabalhos com trama mais aberta.
Nossa postura frente essas capacidades ou incapacidades é de sensibilidade para com as “possibilidades de liberdade de cada um” e um acompanhamento com o objetivo de possibilitar a cada paciente o reconhecimento do seu caminho e adquirir a capacidade de ser mais independente e autônomo possível.
Condutora: Silvia Regina Mari
Arte-educadora com formação em Pedagogia Curativa e Terapia Social fundamentada na Antroposofia. Coordenadora das Oficinas Terapêuticas da Associação Beneficente Três Fontes.
