DIA 21 DE JUNHO
Imagens de São João
Karl König
"...E lá estava João, dia após dia, batizando e pregando no deserto.
O calor do sol e a amargura do frio, a aridez da terra e a dureza das rochas;
a indolência da água e o vazio do céu – eles o rodeavam.
Ele sabia: a natureza havia morrido, a terra estava morta,
a humanidade foi abandonada.
Mas dele mesmo ele sabia:
" Eu sou a voz de um pregador no deserto, preparem o caminho do Senhor."
Ali estava ele: imponente de ver, com fortes ombros, cabelos compridos,
mãos criadoras, passos impetuosos.
Sua voz era como a tempestade, seus olhos brilhavam como o sol e a lua,
seu semblante trazia a luz do dia e as sombras da noite.
Seus maxilares eram como rochas e seus joelhos como montanhas.
Em seus cabelos, que cresciam como junco e capim, brotavam flores e botões.
Pássaros aninhavam-se nas covas de seus ombros
E sua pele era sulcada como o tronco dos cedros que cresciam no Líbano.
Quando caminhava sobre a terra, as profundezas ecoavam;
quando dizia suas palavras raios relampejavam ao seu redor.
Sua vestimenta era como as nuvens e quando pregava,
chuvas de granizo vertiam dela sobre a terra.
Gotas de orvalho pendiam das pontas de seus dedos
E rios de vida brotavam sob o toque de suas mãos.
O alvorecer brilhava ao seu redor quando sorria
e o entardecer quando estava triste.
Quando ele pisava na água para batizar, os peixes se acercavam nadando.
Leões deitavam ao seu lado à noite
e as águias circulavam sobre sua cabeça enquanto dormia.
O mundo estava morto.
Mas nele a natureza acordava para a vida.
Brilhava e soava nele, brotava e crescia nele, acordava e adormecia nele.
Ele era a natureza transformada em homem.
Ele era vento e nuvem, árvore e capim, luz e escuridão,
cor e som, crescimento e desvanecimento.
O mundo estava morto, mas ele estava vivendo, vivia em expectativa,
em sacrifício, em fé, até que viesse Aquele de quem ele poderia dizer:
"Contemplai o Cordeiro de Deus,
Aquele que carrega os pecados do mundo."
Tradução: Karin E. Stasch